Voto de silêncio

Voto de silêncio

Mercedes C350e_Pousada_Guimarães

Aqui nasceu mais do que um país, sem dúvida. Nasceu um conceito híbrido, que conjuga tempos imemoriais com requinte moderno. E isso vê-se, sente-se e prova-se, em Guimarães.

 

“Se nunca tinha vindo aqui, não diga que conhecia bem Guimarães.” Uma frase a ser levada a sério, ou não fosse Natália Maia, Manager da Pousada de Santa Marinha, uma vimaranense genuína. A verdade é que em passagens anteriores pela cidade esta unidade hoteleira não tinha feito parte do roteiro, algo que à luz desta nova perspetiva adquirida, revelou ser um erro.

A chegada à pousada é feita por uma estrada de curvas e contracurvas que abordamos facilmente e de forma silenciosa com o C350e no seu modo totalmente elétrico. Sim, existe um Mercedes Classe C híbrido (a surpresa do leitor não será diferente à de quem via o carro passar sem ouvir o motor) e ao estacionarmos na pousada, não ficámos imunes à simpatia de quem nos recebeu com um lugar onde poderíamos carregar as baterias – as nossas e a do carro.

 

 

Este verdadeiro monumento, que data do século XII, fica bem aninhado na encosta do Monte da Penha, com tudo o de bom isso acarreta em termos cénicos. As paisagens são sem dúvida dignas de um dos membros da restrita lista de “Small Luxury Hotels” no nosso país. As paisagens, assim como tudo o resto.

Sendo um antigo mosteiro, os quartos são uma mistura irrepreensível entre os traços da simplicidade espiritual dos antigos ocupantes e o conforto luxuoso que se espera de um hotel de cinco estrelas com o selo de aprovação da Condé Nast Johansens. A experiência do visitante fica, no entanto, ainda mais enriquecida fora dos quartos, com toda a dicotomia histórica/moderna da pousada: o salão nobre e o claustro, por oposição à piscina com vista para a cidade ou o spa.

No meio de toda esta dança entre antigo e recente, a joia da coroa é um jardim de 9 hectares com um roteiro botânico, que talvez sirva de inspiração para os pratos com que Hugo Morais nos brinda no restaurante D. Mafalda. Pratos que, mantendo a corrente híbrida que parece ser o mote desta visita, combinam o melhor que a cozinha de Guimarães pode oferecer, os sabores calorosos que associamos a casa, com os toques inesperados e contemporâneos de outras identidades gastronómicas, num resultado que é profundamente adequado a um antigo edifício religioso. Em suma, comida divinal.

Este é daqueles sítios dos quais nos afastamos com pena. Quase que pedimos ao C350e para não andar, mas mesmo que o combustível fosse um problema, o motor elétrico seria sempre suficiente para criar uma distância inexorável. Mas vendo bem, também será sempre capaz de nos trazer de volta.